Índice

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Look at you

Gratidão é um sentimento importante. Lembro de um episódio da minha infância onde, por algum motivo que não recordo, fiquei chateado com meu avô. Estava próximo da hora de viajar e, simplesmente, dei as costas para ele e entrei no carro. Dias depois, recebi uma carta escrita por ele reclamando da minha atitude. Ele foi muito correto em chamar minha atenção, pois tive um comportamento imaturo. A ingratidão nos faz virar as costas.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Inconformismo resolutivo

Ontem estive num departamento do governo para conseguir um documento. Eram umas 10h30 e o responsável disse que precisava chegar às 5h da manhã para pegar a senha! Tem que ser muito capacho pra ouvir uma coisa dessa e baixar a cabeça. Perguntei se não havia agendamento pela internet e ele disse havia sido suspensa. Entendi que tal procedimento vinha "de cima" na hierarquia de trabalho. Indaguei: "Está tudo indo pra frente e a cabeça dessa gente está retrocedendo?" Os funcionários esboçaram um sorriso tímido e percebi que também estavam insatisfeitos com aquela situação. Prossegui: "Tenho pena de vocês, com tanta tecnologia disponível, terem que fazer esse trabalho todo!". Um deles disse: "Só um instante" e entrou numa sala e voltou: "Pode entrar aqui, consegui adiantar o serviço". Na sala haviam dois funcionários atendendo umas poucas e duas fileiras de cadeiras vazias. Resolvi o que precisava, agradeci a todos e fui embora satisfeito.

Como entender tal situação? Penso que um nível de criticidade é saudável para as relações humanas. Quando exagerada vira-se um chato. De menos, um acomodado e complacente. A questão é saber usar a crítica com empatia. A intenção transparece na fala. Ali, não estava criticando o trabalho dos funcionários mas o sistema no qual estavam inseridos. Faz diferença, é perceptível. O mais comum é a conformação e a indignação interna, sem exteriorizar o pensamento. A pessoa está condicionada a pensar de modo "obediente", sem espaço mental para a contestação e à crítica. Quando isso ocorre não chega a ser exteriorizado na interrelação. Há o medo da transgressão social, de burlar as regras. Como ser crítico/contestador sem passar do ponto? Em primeiro lugar é preciso de educação e equilíbrio pessoal. Uma palavra grosseira, o uso de xingamento, imediatamente colocaria tudo a perder. Neste caso, possivelmente, a segurança local seria acionada. E não discordaria deste procedimento. As relações sociais precisam ser administradas dentro de algumas regras de boa-convivência. 

Portanto, além do conteúdo da crítica, há o modo, a forma, a maneira. De nada resolve o conteúdo justo e a forma inadequada.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Criticidade

A criticidade é um atributo importante para o desenvolvimento da personalidade humana. Na biografia de Peter Longerich sobre Goebbels, ministro da propaganda nazista, o autor destaca o decaimento da autocrítica nos diários do político: "Se as passagens autocríticas são a parte mais interessante dos primeiros diários, a ausência quase completa de autocrítica nos últimos volumes talvez seja o que mais chama atenção". (Ed. Objetiva; p.19).

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Visita aos Museus de Arte

Na semana passada fui conhecer o MAC-USP (Museu de Arte Contemporânea) Ibirapuera, em São Paulo. O projeto arquitetônico do prédio é de Oscar Niemeyer, onde antes funcionava o Detran. Gostei de ter ido lá, achei um local que inspira a criatividade, com mais força nos dois primeiros andares.

Na ocasião, estava tendo a exposição intitulada Inventário: Arte Outra, de Gustavo Von Ha. Para mais informação a respeito: http://brasileiros.com.br/2016/11/quem-e-gustavo-von-ha/

Vale a pena conferir a vista do terraço, no último andar, que estava sendo reformado. Há alguns pontos a serem melhorados: você só pode beber água e ir ao banheiro no primeiro andar (mezanino), pois não há bebedouros nem banheiros nos outros andares. Ao menos, esta foi a informação que nos passaram.

Noutro dia, fomos à Pinacoteca que já visitei algumas vezes. A entrada, com detector de metais, me lembrou aeroporto. Embora seja melhor prevenir do que remediar. 

Este é outro local que instila a criatividade, ainda que não seja um apreciador irrestrito da Arte. A meu ver, a obra de Arte tem que ter um it, um charme, uma energia ou magnetismo que capte a sua atenção. Existem obras, até bem trabalhadas, mas com alta dose de nonsense, sem charme, parecidas com aquelas pessoas ornamentadas que não despertam atenção. E não estou me referindo à beleza estética, mas a mensagem implícita.

Já havia reparado antes e desta vez a ideia foi reforçada: a importância da leitura dos textos nos museus. Pode parecer uma coisa óbvia, mas tem gente que só olha os objetos, esculturas, pinturas. Um texto bem escrito é capaz de fazer você rever a produção artística com outro olhar. A apreciação artística depende de uma predisposição interna.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Eu, Daniel Blake

O que há de errado com "Eu, Daniel Blake"? Uma das respostas pode estar na pergunta: "para quê serve um filme?" Retratar a realidade ou transcendê-la? Se você prefere a primeira opção talvez tenha gostado do filme. A meu ver, a limitação dele está justamente em retratar a realidade mas não superá-la, em apontar a patologia social (a burocracia) e não mostrar alternativas ou soluções. O personagem, em alguns momentos, tenta burlar e transcender a patologia mas sem êxito. O filme direciona sua crítica para o sistema social burocrático. Isso fica evidente pela forma "zumbificada" com que os personagens burocráticos são retratados. Há decerto, ao menos, duas situações que merecem destaque: 1) quando Blake se levanta no departamento do governo para reclamar do descaso em relação à mãe solteira, Katie; 2) quando Daniel, já saturado do empurra-empurra burocrático, parte para um protesto gráfico. Porém, tais tentativas de superar a patologia não têm êxito.
Um filme não precisa se conformar com o real. Neste sentido, faltou mais ousadia no roteiro. O filme bate asas mas não decola. A mensagem final é pessimista: "o sistema é esse mesmo, não adianta lutar contra ele que tudo continuará igual". Faltou: ressaltar a condição do inconformismo social sadio, o pensar out-of-box; sair da crítica social e entrar na autocrítica. É sempre relevante pensar: "O quê uma consciência mais lúcida faria nesta condição?".

Aranha de jardim


Havia uma aranha amarela que ficava numa teia entre duas árvores de podocarpos. Viajei por alguns dias e quando voltei ela não estava mais lá. Minha hipótese é que ela não tenha resistido à falta de água, pois antes regava as plantas, diariamente. Agora, há uma aranha-filhote no local.




quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A irracionalidade do materialismo

A tese do materialismo é irracional. A vida seria injusta se terminasse com desativação somática. Vejamos alguns exemplos: 

(Em relação ao início da vida)

1) O sujeito x nasce numa família estruturada que lhe dá condições da melhor formação educacional, cultural e social; já o sujeito y nasce no ambiente mais inóspito, em condições desfavoráveis. Pergunta: Se somos todos iguais, por quê já "começaríamos" a vida com tais diferenças?

2) O sujeito x nasce um gênio superdotado, com inteligência acima da média; o sujeito y nasce com retardo mental, com extrema dificuldade de raciocínio.

(Em relação ao desfecho da vida)

1) O sujeito x ao final da vida está feliz e sereno, com a sensação de dever cumprido, e tem um desfecho tranquilo, durante o sono, em atmosfera de paz; o sujeito y sofre acidente e falece de modo trágico, deixando uma série de incomprensões e incompletudes para trás.

Conclusão: poderíamos enumerar inúmeros exemplos que mostram a deficiência na tese de que a existência da personalidade termina junto com a matéria.